Fiquei muito feliz em ver um estudante de escola pública ser o primeiro colocado no vestibular da COVEST. Com efeito, a hegemonia do ensaio: erro e acerto caiu, pois a tradição de os primeiros colocados serem das áreas de saúde, em particular medicina, e de humanas foi quebrada. Via de regra o alto poder aquisitivo foi vencido pelo talento de um jovem estudante, oriundo de escola pública que delimitou o espaço através do dom maior: o da arte. Merecido prêmio que, durante tempos, fora dado aos favorecidos economicamente, dentro de uma concorrência desleal. Tratava-se da disputa de matérias isoladas caríssimas vs a carência de quem não tem um arsenal à altura para a concorrência... Esse fato, põe fim, para mim, a um questionamento que faço há algum tempo: como pode , num vestibular de duas fases, haver um primeiro colocado geral? Ocorria sim, se houvesse apenas uma fase, aí, sim, tinha-se um nivelamento geral. O mais bacana de tudo isso foi ver que os protagonistas foram as habilidades e os dons que estão acima de tudo. Ser músico é uma questão de dom, ouvido, paciência, vocação e nada mais justo que premiar uma profissão tão universal quanto o mais remoto dos escritos... Parabéns, aos primeiros colocados que provaram que a vida sem música seria um equívoco, ou melhor, como disse o Nietzsche:" Sem a música, a vida seria um erro! ". O talento ficou acima do mercantilismo e para quem tanto é adepto desse sistema: lembrem-se , sempre, de aplaudir de pé, os músicos de uma orquestra sinfônica em vez de Trios Elétricos, Micaretas e essas coisas que tanto a indústria alimenta com fins de ver bobos alegres.
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